Piscina com areia, quadra de saibro, trilha na mata e restaurante dentro do portão: a promessa do condomínio resort é morar como se estivesse sempre de férias. Antes da planta e da vista, a conta que decide a compra é a da taxa mensal e a da convenção.
O que é um condomínio resort
Condomínio resort não existe como categoria na lei. É um rótulo comercial para condomínios residenciais com lazer e serviços em escala de hotel de férias. Por trás do nome, valem as regras de sempre: unidades privativas, áreas comuns, convenção, assembleia e taxa rateada entre os donos, como em qualquer prédio ou loteamento fechado.
O enquadramento jurídico depende do formato. Se o empreendimento tem prédios com apartamentos, é um condomínio edilício, previsto no artigo 1.331 do Código Civil. Se vende lotes para casas, pode ser um condomínio de lotes, figura incluída no artigo 1.358-A pela Lei 13.465/2017. Muitos complexos misturam os dois.
O que diferencia o resort é a quantidade e o tipo de equipamento comum. Em vez de uma piscina e um salão de festas, aparecem lagos, quadras de vários esportes, academia completa, spa, trilhas, restaurante, recepção e, às vezes, programação para crianças.
Por que a taxa pesa
O artigo 1.336 do Código Civil manda cada dono contribuir para as despesas na proporção da sua fração ideal, salvo regra diferente na convenção. Quanto maior a área comum e quanto mais serviços funcionando, maior a despesa que entra nessa divisão.
Num resort, a conta inclui manutenção de jardins e piscinas, energia de iluminação esportiva, limpeza, segurança, funcionários e reposição de equipamentos. Ela corre o ano inteiro, inclusive nos meses em que o dono não usa o imóvel.
Não existe valor padrão para essa taxa: ela sai do orçamento de cada empreendimento. Para quem compra na planta, a fonte é a estimativa da incorporadora, que pode mudar quando o condomínio for instalado e a primeira assembleia aprovar o orçamento real.
Condomínio resort, clube, multipropriedade e condo-hotel
Quatro modelos costumam ser confundidos no material de vendas. A diferença entre eles muda o que você compra, o que você paga e como pode usar ou alugar o imóvel.
Condomínio clube
É outro nome comercial, mais usado para torres urbanas com muita área de lazer no térreo: piscinas, academia, quadras, espaço gourmet. A lógica jurídica é a mesma do resort. A diferença costuma estar na escala, na natureza em volta e nos serviços oferecidos.
Multipropriedade
É um regime jurídico próprio, criado pela Lei 13.777/2018. Pelo artigo 1.358-C do Código Civil, cada proprietário é titular de uma fração de tempo, com uso exclusivo do imóvel inteiro em períodos alternados, como semanas por ano.
No condomínio resort, você é dono da unidade inteira o ano todo. Na multipropriedade, você compra tempo de uso. Os preços, os custos e a liquidez de revenda são muito diferentes.
Condo-hotel
Nesse modelo, o comprador adquire uma unidade que entra num pool de locação administrado por uma operadora hoteleira, e o retorno vem da operação do hotel. Quando é oferecido ao público como investimento, ele se enquadra como contrato de investimento coletivo hoteleiro, cuja oferta pública é regulada pela Resolução CVM 86/2022.
Se o material de vendas falar em pool, rentabilidade da operação ou administradora hoteleira obrigatória, pergunte se a oferta tem registro ou dispensa na CVM.
Locação, convenção e uso das áreas comuns
Quem compra num resort costuma pensar em alugar a unidade nos meses em que não usa. Essa possibilidade depende da convenção, e a regra ficou mais clara em 2026.
Em maio de 2026, a Segunda Seção do STJ julgou o REsp 2.121.055 e definiu que a curta estadia com exploração econômica reiterada descaracteriza a destinação residencial.
Para valer, ela precisa estar prevista na convenção, aprovada por dois terços dos condôminos. O tema também está em julgamento repetitivo, como explica o texto sobre Airbnb em condomínio.
Na compra na planta, a convenção ainda é uma minuta, que faz parte do memorial de incorporação exigido pelo artigo 32 da Lei 4.591/1964. É nela que você confere:
- se a locação por temporada é permitida e com quais regras;
- se hóspedes podem usar todas as áreas de lazer;
- se há cobrança separada por uso de equipamentos, como quadras ou restaurante;
- quem administra os equipamentos e quem decide o orçamento deles.
Esse último ponto merece atenção em complexos grandes. Clubes esportivos, restaurantes e praias artificiais podem pertencer ao condomínio ou a outra empresa, com contrato e mensalidade próprios. A resposta muda o custo e o seu poder de voto sobre esses espaços.
E a praia particular
Material de resort às vezes fala em praia particular. No Brasil, as praias são bens públicos de uso comum, com acesso livre garantido pelo artigo 10 da Lei 7.661/1988. O que um condomínio pode ter é uma lagoa ou piscina artificial dentro do terreno, que a publicidade chama de praia.
O caso do All Resort em Porto Belo
Porto Belo tem um exemplo do modelo em implantação. O ALL Resort Club Residence, da incorporadora All Wert, se apresenta como um complexo de lazer e moradia com esportes, natureza e serviços. Os dados a seguir são os publicados pela incorporadora no próprio site, consultado em 4 de outubro de 2026.
Os equipamentos anunciados incluem:
- um centro de tênis com 17 quadras, 10 externas e 7 cobertas, que a incorporadora chama de primeiro Rafa Nadal Tennis Center da América do Sul;
- um campo de golfe de nove buracos com iluminação, descrito como o primeiro iluminado da América Latina;
- uma praia artificial com ondas de até 2 metros e cerca de 1 km de orla de areia;
- uma pista de corrida e ciclovia de 13 km com instalações de arte e arquitetura.
As expressões "primeiro" e "único" são da incorporadora e não foram verificadas de forma independente.
O complexo também tem moradias de formatos diferentes. O site anterior do empreendimento apresenta o Porto Belo Golf All Resort como condomínio horizontal com lotes de 400, 600 e 1.000 m². O residencial de apartamentos se chama Terra.
O Terra All Resort
Segundo a página do Terra, o projeto tem duas torres, apartamentos de 2 a 4 suítes, áreas privativas de 110 m² a 931 m² e 2 ou 3 vagas, com arquitetura assinada por Thiago Bernardes e Miguel Pinto Guimarães. Em outubro de 2026, a página o apresentava em fase de pré-lançamento.
Pré-lançamento significa que a venda formal ainda depende do registro do memorial de incorporação no cartório, como exige a Lei 4.591/1964. Quem se interessa deve pedir o número desse registro antes de assinar qualquer contrato e, junto, a minuta da convenção e a estimativa da taxa.
Para o All Resort, as perguntas centrais são três: quanto custará o condomínio do Terra por metro quadrado, se os equipamentos esportivos estão dentro desse condomínio ou têm administração e cobrança próprias, e o que a convenção dirá sobre locação por temporada.
Os riscos de comprar um resort na planta
Comprar na planta é investir com risco, e o resort soma alguns riscos próprios aos de qualquer obra. Vale conhecê-los antes de olhar a tabela.
O primeiro é o faseamento. Complexos grandes costumam entregar moradias e equipamentos em etapas, ao longo de anos. Se a quadra, o clube ou a praia artificial dependem de fases futuras, pergunte o cronograma de cada um e o que acontece com eles se as vendas desacelerarem.
O segundo é o custo fixo. Uma taxa condominial alta reduz o número de pessoas dispostas a comprar o imóvel de você mais tarde. Na revenda, o comprador faz a mesma conta que você está fazendo agora.
O terceiro é a liquidez. Unidades grandes e caras têm público menor, e a velocidade de venda depende do mercado na época, que ninguém consegue prever. O mesmo vale para a renda de temporada: ocupação e diária mudam com a oferta da região.
Por fim, os riscos comuns a toda compra na planta: atraso de obra, mudança de projeto, correção do saldo pelo INCC e crédito para pagar as chaves. O que protege o comprador são o registro do memorial de incorporação, o patrimônio de afetação quando adotado e um contrato com quadro-resumo completo, sem eliminar o risco por completo.
Comprar num resort sem surpresa na taxa
O comprador encantado com a estrutura costuma descobrir o custo dela só depois das chaves, quando chega o primeiro boleto do condomínio. Nos meses em que o imóvel fica vazio, essa conta continua chegando.
Três princípios resumem o que olhar:
- O nome do produto define pouco. Valem a convenção, o registro e quem é dono de cada equipamento.
- Taxa estimada na planta é estimativa. Peça a conta por unidade e simule o cenário de imóvel vazio.
- Renda de temporada depende da convenção e da procura real, e nunca vem garantida pelo folheto.
O passo prático é montar uma lista com essas perguntas e levá-la à próxima conversa com a incorporadora ou o corretor. Se você prefere um modelo sem portaria e com ruas públicas, vale comparar com o VivaPark, bairro planejado de Porto Belo, e ver os outros apartamentos na planta em Porto Belo.
Para avaliar o All Resort ou outro condomínio com lazer amplo, a consultoria de investimento online apresenta tabela, planta e documentos lado a lado, e a visita ao decorado e à obra mostra a escala da estrutura ao vivo.
Lazer de resort se paga todo mês: escolha a estrutura que você vai de fato usar.
Faça a contaNa planta ou na renda fixa? Compare com o mesmo dinheiro em Porto BeloCDI: 13,65% ao ano (Banco Central, 01/10/2026)Abrir a calculadora


