A entrada é a parte da tabela que aparece no anúncio. O saldo das chaves é a parte que decide se a compra fecha.
As etapas de um fluxo de pagamento na planta
Toda tabela de vendas de lançamento segue a mesma lógica: uma parte do preço é paga enquanto o prédio sobe e o restante vence quando a obra termina. O que muda de uma incorporadora para outra é o peso de cada etapa.
Ler a tabela é somar cada linha, entender quando ela vence e descobrir quanto sobra para o dia da entrega.
Sinal e entrada
O sinal é o primeiro pagamento, feito na assinatura da proposta ou do contrato. A entrada pode ser o próprio sinal ou um valor maior, dividido em poucas parcelas. Em lançamentos do litoral catarinense é comum ver a entrada dividida em 4 ou 6 vezes, o que reduz o dinheiro necessário no primeiro mês.
Entrada dividida não muda o preço. O valor que deixa de ser pago no começo aparece nas linhas seguintes.
Parcelas mensais
São as prestações pagas durante a obra, em geral até o mês da entrega. São parcelas de valor menor e prazo longo, acompanhando o cronograma da construção. Confira se a quantidade de mensais termina antes, junto ou depois da data prevista de entrega, porque um atraso de obra pode alongar esse prazo ou não, conforme o contrato.
Reforços ou balões
Reforços são parcelas maiores, semestrais ou anuais. Eles aliviam as mensais, mas pedem caixa em datas certas. Quem compra para investir tende a casar o reforço com uma entrada de dinheiro previsível, como bônus, décimo terceiro ou venda de outro bem.
Parcela das chaves e saldo
Algumas tabelas trazem uma parcela específica no mês do habite-se, chamada parcela das chaves. Depois dela fica o saldo devedor, quase sempre a maior fatia do preço. Ele pode ser quitado à vista, financiado por banco (o repasse) ou parcelado diretamente com a incorporadora, com índice e juros próprios.
O que a correção pelo INCC faz com a conta
Durante a obra, o saldo que falta pagar costuma ser corrigido todo mês pelo INCC, o índice de custo da construção calculado pela FGV. As parcelas seguintes são recalculadas sobre o saldo corrigido. Por isso a soma paga até as chaves fica acima da tabela do dia da assinatura, mesmo sem nenhum atraso.
O índice não é fixo. Segundo a divulgação do FGV IBRE de setembro de 2026, o INCC-M acumulou 6,61% em 12 meses até setembro de 2026, contra 7,07% em setembro de 2025. O detalhe de como a correção funciona mês a mês está no guia sobre o INCC no apartamento na planta.
Depois da entrega, o INCC sai de cena. Se o saldo for financiado pelo banco, valem as regras do banco. Se for parcelado com a incorporadora, o contrato define outro índice, como IPCA ou IGP-M, e em geral passa a cobrar juros.
Uma simulação de ponta a ponta
Simulação com números redondos e hipotéticos, só para mostrar a estrutura. Não é a tabela de nenhum empreendimento.
| Etapa | Condição | Valor na tabela |
|---|---|---|
| Entrada | 4 parcelas de R$ 10 mil | R$ 40 mil |
| Mensais | 36 parcelas de R$ 2 mil | R$ 72 mil |
| Reforços anuais | 3 de R$ 30 mil | R$ 90 mil |
| Parcela das chaves | 1 de R$ 40 mil | R$ 40 mil |
| Saldo na entrega | à vista, banco ou direto | R$ 558 mil |
| Total | R$ 800 mil |
Premissas: imóvel de R$ 800 mil, obra de 36 meses e INCC constante de 6% ao ano, número redondo perto do acumulado recente da FGV.
Com essa premissa, só o saldo de R$ 558 mil chegaria às chaves valendo R$ 664,6 mil (558 mil × 1,06³). As mensais e os reforços também sobem, então o total desembolsado passa de R$ 800 mil. </simulacao>
Duas leituras saem dessa tabela. A primeira: durante a obra, o comprador paga R$ 242 mil em valores de tabela, 30% do preço. A segunda: o dia que mais pesa é o da entrega, quando o saldo corrigido precisa de destino.
Se o plano for financiar esse saldo, o banco olha a renda no momento do repasse. A Caixa, por exemplo, informa na página de financiamento de imóveis prazo de até 35 anos e parcela de até 30% da renda familiar bruta, regras consultadas em 4 de outubro de 2026 e sujeitas a mudança.
Na simulação, isso quer dizer renda familiar compatível com uma parcela que financie algo perto de R$ 665 mil, conferida só na época das chaves. As duas rotas estão comparadas no post sobre financiamento de apartamento na planta.
Saldo direto com a incorporadora
Algumas incorporadoras parcelam o saldo depois da entrega, sem banco. Para quem tem renda no exterior ou prefere não passar por análise bancária, isso pode simplificar a compra. Em troca, o prazo em geral é bem mais curto que o de um financiamento, o contrato passa a cobrar juros e o índice muda, em geral para IPCA ou IGP-M.
Peça essa condição por escrito antes de assinar. Se ela não constar do quadro-resumo, não conte com ela.
Como avaliar uma entrada em poucas parcelas
Condições como entrada em 4 ou 6 parcelas aparecem com frequência nas campanhas de lançamento. Elas ajudam quem tem renda e não tem um valor alto guardado. O teste é simples: a condição só é boa se o restante do fluxo também couber.
Quatro perguntas resolvem a maior parte da análise:
- Quanto soma tudo o que vence até as chaves, já com uma premissa de INCC?
- Qual é o saldo na entrega e de onde virá esse dinheiro?
- A condição vale para todas as unidades ou só para algumas plantas e andares?
- Existe desconto para quem paga mais na obra ou quita antecipado?
A mecânica da entrada parcelada, com exemplos, está no guia de entrada facilitada.
Para comparar duas tabelas, coloque as linhas lado a lado na mesma planilha, com a mesma premissa de índice. A diferença aparece no saldo, muito mais que na primeira parcela.
Simulação com números hipotéticos: dois apartamentos de R$ 800 mil. O primeiro pede 30% durante a obra e 70% nas chaves; o segundo pede 50% durante a obra e 50% nas chaves.
O segundo exige R$ 160 mil a mais até a entrega, mas chega às chaves com um saldo R$ 160 mil menor, antes da correção, e expõe menos dinheiro ao risco de crédito negado. </simulacao>
Nenhuma das duas é melhor por definição. A primeira serve a quem espera ter o saldo na entrega, por venda de outro imóvel, por exemplo. A segunda serve a quem tem renda forte agora e prefere chegar às chaves com pouca dívida.
O que o contrato precisa mostrar antes da assinatura
Desde a Lei 13.786/2018, o contrato de compra de imóvel em incorporação começa por um quadro-resumo (art. 35-A da Lei 4.591/1964). Ele funciona como roteiro de leitura do fluxo. Precisa trazer, entre outros pontos:
- o preço total e o valor da entrada, com a forma de pagamento;
- os vencimentos de cada parcela;
- os índices de correção e o período de cada um;
- as taxas de juros, se houver, e o sistema de amortização;
- o prazo para quitar o saldo depois do habite-se;
- as consequências do distrato, com as penalidades em destaque;
- o número do registro da incorporação e a data final para o habite-se.
Se faltar alguma dessas informações, a lei dá 30 dias para a incorporadora corrigir o contrato. Sem a correção, o comprador tem justa causa para a rescisão.
A mesma lei aceita entrega até 180 dias depois da data prevista, quando isso estiver escrito de forma clara e destacada. Ela também permite reter até 25% do que foi pago em caso de distrato, ou até 50% quando o empreendimento tem patrimônio de afetação.
Esses números mostram por que o fluxo precisa caber no seu orçamento do começo ao fim.
Os riscos de qualquer compra na planta continuam valendo: atraso de obra, mudança de projeto, problema financeiro da incorporadora, INCC acima do esperado, crédito negado nas chaves e dificuldade para revender antes da entrega.
Registro de incorporação, afetação e um contrato bem lido reduzem esses riscos, mas não os eliminam. Este texto é informativo e não substitui a orientação de um advogado.
A tabela certa é a que fecha depois das chaves
Quem olha só a entrada costuma descobrir o tamanho do saldo tarde demais. Com a tabela lida linha por linha, a pergunta muda: em vez de "consigo começar?", passa a ser "consigo terminar?".
Daqui saem três regras de bolso:
- Some o fluxo inteiro com uma premissa de INCC, nunca só a tabela do dia.
- Tenha um plano para o saldo antes de assinar, com uma alternativa caso o banco negue o crédito.
- Leia o quadro-resumo como se fosse a tabela: índices, juros, prazos e multas estão lá.
Amanhã mesmo, dá para pedir a tabela completa de dois empreendimentos e montar a mesma planilha para os dois. Na consultoria online, o especialista apresenta as tabelas vigentes da região e monta essa comparação com você; se estiver no litoral, dá para combinar uma visita ao decorado e à obra e ver de perto o que está pagando.
Preço de imóvel na planta é o fluxo inteiro, corrigido, até a última parcela.
Faça a contaFinanciamento das chaves: SAC ou PriceTaxa média do financiamento imobiliário: 11,28% ao ano (Banco Central, agosto de 2026)Abrir a calculadoraFaça a contaImóvel na planta ou renda fixa: compare o mesmo dinheiroCDI: 13,65% ao ano (Banco Central, 01/10/2026)Abrir a calculadora


